SEXO FRÁGIL?
Publicado em 27/08/2009
Será que todas as mulheres do mundo comemoram seu dia em 8 de março? Infelizmente, não. Em muitos países as mulheres são discriminadas e subjugadas há milênios. Em várias culturas a mulher é considerada impura, indigna e escrava. Nesses lugares, o homem se julga tão supremo que não consegue enxergar a nobreza da mulher.

A sábia natureza, de forma perfeita, fez com que uma criança só pudesse ser gerada com a igual participação do homem e da mulher. Porém, como esse conhecimento foi ignorado durante séculos (o óvulo só foi descoberto em 1827) e como as características femininas mais marcantes são a sensibilidade e a emoção, a humanidade fez com que a mulher fosse considerada um ser inferior. E o mais triste é que esse pensamento conseguiu convencer a própria mulher a respeito de sua condição.
A história mostra como esse processo se desenvolveu. Em 400 a.C., Platão disse que a mulher tinha a mesma razão dos homens, bastava que lhes fossem dadas a mesma formação. “Um Estado que não forma nem educa suas mulheres é como um homem que treina apenas o seu braço direito”, dizia ele.

Porém, menos de 100 anos mais tarde, Aristóteles disse que a mulher era um “homem incompleto”. Na reprodução ela era passiva e receptora e o homem era ativo e produtivo. Infelizmente, foi essa idéia que predominou em toda a Idade Média. Nessa época, por volta de 1250 d.C., São Tomás de Aquino adotou também a visão que Aristóteles tinha da mulher. Entretanto, para São Tomás de Aquino a mulher era inferior ao homem enquanto ser natural, mas a alma da mulher tinha o mesmo valor que a do homem. Em 1789, na França, foi promulgada a “Declaração dos direitos do homem e do cidadão”. Contudo, eram considerados cidadãos apenas os homens. Em 1791, Marie Olympe de Gouges publicou a “Declaração dos direitos da mulher” e em 1793 foi decapitada.

Após o trágico incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York, em 1857, as mulheres conquistaram vários direitos, como por exemplo, direito ao estudo, direito ao voto, direito de combate à violência entre outros. No Brasil, o voto feminino foi garantido pelo código eleitoral de 1932 e a primeira delegacia de defesa da mulher surgiu em 1985 para evitar e coibir a violência sexual. Nota-se que as mulheres, que tinham sido transformadas em ‘segundo sexo’, estão se tornando sujeitos de transformação da cultura e estão conquistando a responsabilidade por suas próprias vidas. Se a mulher realmente fosse o ‘sexo frágil’ a luta teria terminado há muito tempo. Isso prova que a mulher possui muita determinação e é muito mais forte do que supõem alguns representantes do sexo oposto.

Atualmente, os homens estão valorizando as nobres qualidades das mulheres e, inevitavelmente, estão dividindo o poder com elas. O processo é lento, mas, felizmente, o primeiro passo foi dado e o direito adquirido não pode ser tomado. Devemos também nos esforçar para que todas as mulheres do planeta possam comemorar a data de 8 de março. Não podemos deixar que matem meninas recém-nascidas ou que mutilem seus corpos. Não podemos deixar que apedrejem mulheres em vias públicas ou que as tratem como objetos.

Devemos nos espelhar nas maravilhosas mulheres que lutaram e venceram os preconceitos de suas épocas. Cleópatra, Nefertari, Maria de Nazaré, Joana D’Arc, Rainha Elizabeth, Marie Curie, Anita Garibaldi, Olga Prestes, Marilyn Monroe, Elis Regina, Princesa Diana, Madre Teresa de Calcutá, você...
E quem discorda de que são grandes mulheres?

Por Máriam Trierveiler Pereira
Possui graduação em Engenharia Civil, especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho e mestrado em Engenharia Ambiental pela Universidade Federal do Paraná e é Doutoranda em Engenharia Química com ênfase em Gestão, Controle e Preservação Ambiental pela Universidade Estadual de Maringá. Tem experiência na área de Engenharia Ambiental, com ênfase em avaliação de impactos ambientais, sistema de gestão ambiental, qualidade ambiental da água, modelagem de poluição difusa, educação ambiental, planejamento e índices de qualidade sócio-ambiental urbana.

Fonte: Máriam Trierveiler Pereira
 
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