II Seminário Estadual do Partido Verde
Publicado em 28/04/2008
Ao chegar em Cerquilho, hoje de manhã, dia 05/10/07, às 6 horas, observei pela janela do ônibus a paisagem extremamente reducionista: cana-de-açúcar e pastagem.

A cana, que está sendo colhida, apresenta uma quebra de produção acima de 20%. A soqueira da cana colhida em maio está igual a soqueira da cana colhida recentemente, ou seja, a soqueira não está crescendo, pois não chove na região há mais de 90 dias. Conseqüentemente, haverá uma nova quebra na produção agrícola da safra 2008/09. Como o preço de venda do álcool para a usina é de aproximadamente R$ 0,50/litro e o do açúcar de aproximadamente R$ 21,00/saco de 50 kg, a usina Costa Pinto, que é a maior da região, continuará adquirindo outras usinas pequenas próximas a ela, resultando numa concentração violenta de renda.

As pastagens encontram-se extremamente secas, degradadas, com cupim, sem forragem, sem capineiras e nem silagens, e ainda com genética bovina errada para as pequenas propriedades, que é a raça Nelore. Diante desse quadro, este pecuarista com certeza irá arrendar suas terras para as usinas.
As árvores que ainda sobraram, na sua grande maioria são a Leucena e Eucalipto, por serem extremamente agressivas e invasoras, pois quando a cana é queimada, toda a mata ciliar dos rios é queimada junto, permitindo que essas duas espécies proliferem ainda mais rapidamente. As árvores frutíferas, que além de manter alimentada a fauna local, pode servir de sombra para o gado, quase não são mais vistas.

Chegando em Piracicaba, pode-se ver a vida vegetal morrendo, praças e calçadas sem árvores, e as que ainda estão resistindo, mal podadas e mal cuidadas. Passando por Águas de São Pedro, na entrada, dá para se notar, quase seco, o lago em frente ao restaurante. Chegando em São Pedro, da pista, não mais se observam as quatro cachoeiras com água, a cidade está sob racionamento de água potável. A água para beber está suja, com gosto ruim, levando a população a encher recipientes de água para beber logo abaixo da rodoviária, em uma bica, completamente exposta à contaminação, sem se esquecer que a rodoviária foi construída exatamente em cima desta mina de água. Chegando no hotel, observam-se a grama Mato Grosso e a Esmeralda morrendo, o Sansão do Campo secando e o pé de Manga Espada ao lado da piscina não conseguindo segurar a carga,forrando o chão de mangas pequenas e verdes.
Este cenário não é na Amazônia, no nordeste semi-árido ou em Israel. É aqui, onde estamos, e para piorar, a população da zona urbana não para de crescer. Piracicaba tem a ESALQ (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), uma das melhores da América do Sul. O seu conhecimento multidisciplinar está sendo muito pouco utilizado pela Região, pois mesmo com o Rio Piracicaba tão seco e agonizando, as pessoas não percebem que este sistema de produção adotado não é sustentável.

Depois de saber que em Cuiabá, em julho/agosto de 2007, a umidade relativa do ar chegou a 9%, abaixo da umidade relativa do ar do deserto, que hoje a temperatura na sombra sem ventilação já atinge os 45ºC, que o processo de desertificação do nordeste brasileiro está acontecendo rápido, assistimos ao Lula em Nova York, na Reunião da ONU, falando pela televisão que produzir álcool na Amazônia não contribuirá para o desmatamento desordenado da floresta, e que a monocultura do Biocombustível é a solução para a agricultura familiar no Brasil. Isso tudo, sem dúvida nenhuma, é que me motiva a ser do Partido Verde, para contribuir na melhora desses desequilíbrios, brutais.

Participei dos três dias de seminário do Partido Verde, dias 5, 6 e 7 de Outubro de 2007, o qual julgo ter sido importante para o Partido Verde, para as pessoas que compareceram, para o Brasil e para o Mundo. Apresentei o tema agricultura sustentável, ouvi várias pessoas falando sobre diversos temas e interagi com diversas outras pessoas que apresentaram idéias maravilhosas, as quais, se colocadas efetivamente em prática, podem mudar o caótico cenário ambiental e social no qual o país se encontra.
Portanto, quero deixar registrado por escrito nesse e-mail, para meu irmão Maurício Brusadim, minha intenção de ceder o Projeto Vida no Campo, um centro de pesquisa existente em Sete Barras, Vale do Ribeira, Estado de São Paulo, para dar Cursos para produtores rurais, promover dias de campo e doar mudas. Já realizo esse trabalho gratuito há dez anos, para todo o Vale do Ribeira, e não tenho vínculo com nenhuma instituição, mas somente com o Partido Verde, no qual acredito muito, defendo e do qual faço parte aqui em Sete Barras.

Outra sugestão que faço é que o Partido Verde crie um Centro de Referência em Agroecologia na cidade de Bauru, no centro do Estado de São Paulo, que é um dos maiores entroncamentos rodo ferroviários do Brasil. O Partido Verde poderá contar, para a fundação deste centro, com o apoio de seus vereadores, prefeitos e deputados, além do apoio dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário, Ciência e Tecnologia, Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Meio Ambiente e Desenvolvimento Social e Combate a Fome.
Os objetivos desse centro são multidisciplinares, desenvolvendo Projetos, Tecnologias, Mudas, Genética Animal, para as diversas necessidades que o Partido Verde tiver por todo o Brasil, e até atender outros países, mantendo Intercâmbios de conhecimentos com eles. Sem dúvida alguma, um Centro de Referência em Agroecologia trabalhando para as suas necessidades e atendendo a todos os seus filiados, será extremamente estratégico para o Partido Verde.

Finalmente, por tudo que foi exposto, podemos perceber que muito há para ser realizado, e tudo começa pela vontade política. Os eleitores, que precisam se preocupar com tantas coisas no dia-a-dia, referentes à própria sobrevivência, esperam daqueles que foram eleitos iniciativas que possam mudar o quadro social e ambiental que está estabelecido, ou seja, o status quo. Só que para isso, necessitamos de menos discurso e mais ação.

Marcos Alberto Seghese - Autor
Engenheiro Agrônomo
email: seghese@cesumar.br

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