Os alimentos org√Ęnicos s√£o melhores para a nossa sa√ļde ?
Publicado em 24/04/2008
Alimento Org√Ęnico
Os alimentos org√Ęnicos s√£o melhores para a nossa sa√ļde? Embora alguns estudos mostrem que o principal motivo dos consumidores na aquisi√ß√£o de alimentos org√Ęnicos seja a quest√£o da sa√ļde pessoal e da fam√≠lia, a falta de estudos epidemiol√≥gicos relacionando o consumo de produtos org√Ęnicos com a sa√ļde humana faz com que, cientificamente, est√° quest√£o ainda seja dif√≠cil de ser respondida.

O objetivo do artigo não é polemizar sobre o tema, mas mostrar que a qualidade de um alimento precisa ser analisada sob diferentes aspectos que possam dar indicativos da melhor escolha para os consumidores.

Qualidade: Um conceito amplo

Para o Novo Dicion√°rio Aur√©lio da L√≠ngua Portuguesa, numa escala de valores, a qualidade permite avaliar e, conseq√ľentemente, aprovar, aceitar ou recusar determinado tipo de produto. Neste artigo a palavra ‚Äúqualidade‚ÄĚ agrupa um certo n√ļmero de aspectos importantes para um entendimento global ou sist√™mico do processo. Analisar e comparar a qualidade nesta perspectiva √© uma tarefa complexa, por√©m permite uma maior probabilidade de acerto na escolha de um alimento mais adequado √† sa√ļde humana.

Neste sentido, procuraremos analisar os alimentos considerando aspectos referentes √† sa√ļde humana, √† qualidade agron√īmica, organol√©ptica, nutricional, sanit√°ria e ambiental, avaliando n√≠veis de res√≠duos de agrot√≥xicos, irradia√ß√£o de produtos, entre outros.

Sa√ļde: um estado de equil√≠brio

Desde que abandonou a vida primitiva, o homem vem modificando intensamente o ambiente em que vive. Nesse processo houve altera√ß√£o de h√°bitos alimentares pela introdu√ß√£o de subst√Ęncias t√≥xicas, alimentos excessivamente processados, irradiados, geneticamente alterados, al√©m de consumo exagerado de gorduras, a√ß√ļcares e s√≥dio (Tabela 1). Tudo com a finalidade de melhorar a apar√™ncia, o sabor e, sobretudo, a capacidade de conserva√ß√£o dos alimentos. Segundo PRETTI (2000), foram mudan√ßas realizadas paulatinamente, por√©m sem a consci√™ncia de que tais atitudes poderiam ser nocivas √† sa√ļde.

Em verdade, a alimenta√ß√£o moderna tem conduzido n√£o apenas a um desastre na sa√ļde humana, mas tamb√©m a uma s√©rie de problemas ambientais. Hip√≥crates j√° dizia que ‚Äúas doen√ßas atacam as pessoas n√£o como um raio em c√©u azul, mas s√£o conseq√ľ√™ncias de cont√≠nuos erros contra a natureza‚ÄĚ. Algumas formas de Medicina Alternativa e a milenar Medicina Chinesa consideram a sa√ļde como um estado de equil√≠brio. De acordo com PRETTI (2000) um organismo, quando em equil√≠brio, dificilmente adoece e, quando adoece, recupera-se com mais facilidade. Se a car√™ncia √© nociva, o excesso tamb√©m o √©. Portanto, o princ√≠pio do equil√≠brio, fundamento b√°sico da Medicina Ortomolecular, deve ser resgatado. Uma alimenta√ß√£o de qualidade n√£o s√≥ previne, como √© um poderoso recurso terap√™utico. Portanto, qualquer proposta terap√™utica deve considerar o homem, seu ambiente, seus h√°bitos e sua qualidade alimentar.

A busca da qualidade alimentar est√° se tornando uma das principais preocupa√ß√Ķes dos consumidores conscientes. Atualmente, as motiva√ß√Ķes para o consumo de alimentos org√Ęnicos variam em fun√ß√£o do pa√≠s, da cultura e dos produtos que se analisa. Todavia, observando pa√≠ses como Alemanha e Inglaterra (WOODWARD & MEIER-PLOEGER, 1999), Austr√°lia (PEARSON,1999), Estados Unidos (HENDERSON, 1999), Fran√ßa (SYLVANDER, 1998), Dinamarca e Noruega (DUBGAARD & HOLST, 1994; SOGN et. al., 2002), Pol√īnia (ZAKOWSKA-BIEMANS, 2002) e Costa Rica (AGUIRRE & TUMLTY, 2002) percebe-se que existe uma tend√™ncia de o consumidor org√Ęnico privilegiar, em primeiro lugar, aspectos relacionados √† sa√ļde e sua liga√ß√£o com os alimentos, em seguida ao meio ambiente e, por √ļltimo, √† quest√£o do sabor e frescor dos alimentos org√Ęnicos.

No Brasil, a principal motiva√ß√£o para compra de alimentos org√Ęnicos tamb√©m est√° ligada √† preocupa√ß√£o com a sa√ļde. Uma pesquisa encomendada pelo SEBRAE-PR e realizada pelo DATACENSO (2002) nos estados do Sul e Sudeste do Brasil mostrou que os principais motivos que levaram a consumir os alimentos org√Ęnicos foram: em 1o lugar e 2o lugar, faz bem a sa√ļde/saud√°vel; em 3o lugar, sem agrot√≥xicos, em 4o lugar, mais sabor; e em 5o lugar, natural e qualidade do produto. Segundo a mesma pesquisa, hoje, quem consome os alimentos org√Ęnicos s√£o adultos e idosos pertencentes √†s classes sociais A e B.

√Č importante destacar que o desafio de levar o alimento org√Ęnico para as outras camadas da popula√ß√£o n√£o est√° relacionado apenas aos aspectos t√©cnicos (produ√ß√£o em quantidade, qualidade, regularidade e diversidade) e econ√īmicos (pre√ßos competitivos aos produtos convencionais), mas tamb√©m aos aspectos pol√≠ticos e sociais.

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