5 DE JUNHO, DIA DO MEIO AMBIENTE?
Publicado em 27/08/2009
Dizem por aí que dia 5 de junho é o Dia do Meio Ambiente. Não entendo porque a natureza deve ter um dia para ser comemorada, que importância isso tem?

Fala-se tanto da preservação, mas minha cidade tem vários parques e bosques, não vejo desmatamento nesses lugares. Além disso, tem várias árvores na minha rua. Na frente da minha casa não tem, porque eu já pedi para a prefeitura cortar, estava estragando minha calçada e sujava muito a rua. Agora minha calçada fica limpinha e eu até a pintei de verde para ficar mais bonita. Vejo algumas aves fazendo ninho nas árvores dos vizinhos e só fico imaginando o quanto eles devem odiar isso. Já pensou, o barulhão da passarinhada logo de manhãzinha? E sem falar que quando chove a árvore é perigosa, pois atrai raio. Também não tenho plantas em casa, aprendi há muito tempo na escola que elas liberam gás carbônico à noite e podem me matar. Ainda bem que eu não tenho esses problemas!

Fala-se tanto da escassez hídrica, mas eu abro as torneiras de casa e sempre corre a água. De vez em quando até ouço que vai faltar água na minha rua, mas é porque a concessionária está fazendo algum reparo na rede. Nesse caso, não fico preocupado, tenho sempre uns refrigerantes e cervejas em casa. Se demora muito para a água voltar, eu vou na minha sogra e aproveito para jantar e tomar banho. Ela mora perto da concessionária, lá nunca falta água e sei que nunca vai faltar. Falando em água, outro dia levei a família para pescar e fomos ao riozinho aqui perto. Mas acho que eu errei o caminho, porque aquele rio estava diferente, tinha muita lama e um cheiro desagradável. Andamos um pouco até achar mais água, mas mesmo assim não tivemos muita sorte, não pesquei peixe algum. Mas não fiquei chateado, passei num supermercado e comprei umas latas de sardinha.

Fala-se do aquecimento global, mas eu não acho que isso seja um problema. Eu não gosto de frio mesmo, gosto de jogar futebol sem camisa e depois tomar uma gelada. E se o dia está muito quente, coloco meu aparelho de ar condicionado no máximo. Assisti a uma palestra de uma professora que dizia que em vez de verão e inverno, estávamos tendo verão e inferno. Não entendi muito bem o que ela quis dizer, mas palestras são assim mesmo, eles tentam assustar a gente. Ela disse para usar menos o carro para não poluir o ar, mas eu sei que isso é uma conspiração para poderem aumentar o preço da passagem do busão.

Fala-se que o lixo gerado nas cidades polui o solo e a água. Mas o que eu penso sobre isso? Uma bobeira. Eu só sei que eu coloco meu lixo na porta de casa e o lixeiro leva embora. E pronto! Como é que ele pode poluir se vai para tão longe da minha casa? E aquelas pessoas que ganham dinheiro com esse negócio de reciclagem? Eu não gosto disso, acho que todo mundo tinha que trabalhar em vez de ficar atrapalhando o trânsito e catando latinha. Eu misturo tudo que é para eles não conseguir separar. Mas se eu estou em algum lugar público e não vejo uma lixeira por perto jogo minha latinha de cerveja no chão. Sei que algum desses recicladores vai pegar mesmo...

Dizem que tem baleia e pingüim que morre no mar por causa da poluição. Mas isso é grave? Todos os animais morrem um dia. Além disso, nunca vi um bicho desses e nem quero ver. Ainda bem que tem umas ONG’s que não visam lucros e que cuidam disso com muito amor, assim o governo não precisa gastar dinheiro público.

Mas já perdi muito tempo pensando nisso tudo. Não preciso dessa natureza que todos falam: acordo de manhã, tomo meu café com pão, vou trabalhar, almoço num restaurante qualquer, volto ao trabalho, de noitinha tomo um bom banho, janto, assisto a novela e durmo. Nos finais de semana gosto de dar uma voltinha no shopping: temperatura agradável, bastante luz, música, piso limpo, gente bonita.
É, não sei por que ter no calendário esse tal de dia do meio ambiente.

Por Máriam Trierveiler Pereira
Possui graduação em Engenharia Civil, especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho e mestrado em Engenharia Ambiental pela Universidade Federal do Paraná e é Doutoranda em Engenharia Química com ênfase em Gestão, Controle e Preservação Ambiental pela Universidade Estadual de Maringá. Tem experiência na área de Engenharia Ambiental, com ênfase em avaliação de impactos ambientais, sistema de gestão ambiental, qualidade ambiental da água, modelagem de poluição difusa, educação ambiental, planejamento e índices de qualidade sócio-ambiental urbana.

Fonte: Máriam Trierveiler Pereira
 
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